Nascido em 1969, em Itaporã, interior de Mato Grosso do Sul. Gezzu Barbosa da Silva, 54 anos, saiu de casa aos oito anos de idade para estudar. Serviu o exército e se aposentou como capitão 1975. Formado em administração, o comerciante da loja de Rock’n’Roll mais alternativa da Capital, diz trabalhar por amor e não por dinheiro.
Como você teve a idéia de montar a loja?
Eu nasci em Itaporã, município próximo a Dourados, estudei, trabalhei com meu pai na fazenda e entrei para o Exército Brasileiro. Fiquei até me tornar capitão. Mas, em 1975, eu cansei da disciplina, pedi para sair do Exército e me instalei aqui em Campo Grande. Foi aí que comecei vender roupa. Antes, eu ia de porta em porta, até que, depois de um ano vivendo assim, eu resolvi montar uma loja. Só que o meu primeiro estabelecimento não era aqui, eu me instalei na Rua Rui Barbosa esquina com a Maracaju.
Mas por que uma loja que vende roupas para o público que aprecia o Rock’n’Roll e outros estilos musicais que não fazem tanto sucesso em Mato Grosso do Sul?
Eu fiz uma pesquisa de mercado e vi que não tinha nenhuma loja igual a que eu tinha idéia de montar, no seguimento mais “alternativo”. Montei esse estabelecimento para fugir da concorrência e também como um desafio, porque vender Rock’n’Roll numa terra de sertanejo realmente é uma loucura.
Então você pensou em questões estritamente mercadológicas? Quero dizer: quando resolveu abrir a “Du Gezzu” pensou apenas em sobreviver no mercado campo-grandense?
Não. Eu gosto do Rock, gosto do seguimento. Mais do que uma estratégia de mercado, eu faço isso por amor. Se eu quisesse apenas ganhar dinheiro eu tinha montado uma loja de roupas Country (risos). Nós somos a “Galeria do Rock” de Mato Grosso do Sul. Estou dando bem porque a minha loja é a única do Estado e todo mundo compra aqui.
Em sua opinião, o rock em Mato Grosso do Sul está crescendo ou esta sendo reprimido pelo sertanejo?
Eu acho que está crescendo. Assim como a cidade cresce o rock também. Uma prova disso é minha loja sobreviver há 20 anos vendendo rock. Se aqui não tivesse espaço para o rock, a gente já tinha falido.
A “Du Gezzu” tem também um site, pelo qual é possível encomendar o que você tem na loja. Por que resolveu entrar para o mercado de vendas virtuais?
A internet apareceu para o mundo e eu não podia perder o mercado. Na verdade, hoje, meus maiores clientes são virtuais. Nós somos salvos pela internet, porque a loja virtual vende dez vezes mais que essa loja física. Esse site e é o que realmente me leva nas costas. Tenho 3 mil clientes só na internet. Devido à ascensão virtual, a expansão da web, hoje, eu acabo usando ela como depósito.
De onde você traz a mercadoria?
Nós fabricamos, temos uma linha de confecção de roupas e de calçados. Temos também os artigos em couro e com exceção dos acessórios, que eu trago da Galeria do Rock, de São Paulo, tudo é fabricado por nós. Vou a São Paulo todos os meses pessoalmente buscar as novidades, mas a maior parte do meu produto é genuinamente sul-mato-grossense.
Gezzu, no site você anuncia também filhotes de cães de estimação e na loja tem ainda o estúdio de tatuagem. Por que você escolheu montar uma loja tão diversificada?
Os cachorros são uma outra paixão. Hoje tenho 20 cães matrizes. É um outro negocio meu. Sou apaixonado pelo rock e pelos cães. Mas eu cuido mais dos cachorros, porque eles são seres vivos. São uma companhia pra mim. Crio animais desde os 7 anos de idade. É mal de toda pessoa sozinha criar cachorros. Mas, em resumo, eu procurei fazer uma loja que tem de tudo um pouco para não perder com a concorrência.